Archives

Cinema

Uma história sem vilões ou mocinhos. E nem por isso sem pé nem cabeça.

No início do longa Garota Exemplar (Gone Girl), tudo parece caminhar para um grande clichê dos filmes de investigação e suspense. Mas conforme as horas se passam – sim, são mais de duas horas de filme – o espectador vai percebendo que existem outras nuances da história. E isso faz toda a diferença.

O enredo trabalha de forma inteligente os limites da lógica, da ética, do amor, da obsessão, da perfeição, do possível. E entrega a quem assiste um desfecho digno de reflexão.

Em Garota Exemplar, o mais importante é o mistério. Mistério que acompanha todo o desenrolar da história e que, mesmo com as devidas explicações, permanece após o término do filme. Nada mais justo do que terminar essa história deixando o desconhecido, inerente à condição humana, reinar e desafiar os mais racionais.

Cinema

Pode uma canção salvar sua vida?

De forma singela, o filme apresenta seus personagens desolados, desanimados com a condição em que se encontram, desacreditados pela vida e em uma Nova York sem glamour, mas verdadeiramente charmosa. Aos poucos, o espectador descobre os caminhos que levaram cada um deles aos desafios que se apresentam, sempre embalados por tocantes canções. O destino de cada um passa a ser desenhado através de escolhas triviais mas de grande significância. O desfecho presenteia os mais pessimistas com uma injeção de esperança.

Em Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again), o mais importante é a sinceridade com que toda a história se desenrola e com a qual os personagens levam suas trajetórias de vida, usando de uma simples mas difícil transparência de sentimentos em meio à selva de interesses e superficialidades que vivemos hoje.

Viagem

O High Line é um parque elevado e linear construído sobre uma área de aproximadamente 2 quilômetros a sudoeste da ilha de Manhattan, onde antigamente funcionava a linha de trem West Side Line. Após desativada, em meados dos anos 1980, essa linha passou a contribuir para a degradação da região. Vinte anos depois, após um movimento da vizinhança contra sua demolição, um grupo de moradores foi formado e após mais dez anos de luta, o parque foi construído.

Do Meatpacking District ao bairro de Chelsea, os visitantes podem percorrer uma grande passarela de madeira apreciando jardins suspensos (ainda mais belos na primavera), prédios que abraçam o caminho (a passarela passa por dentro/baixo de alguns edifícios) e sua arquitetura singular. De quebra, ainda podem ver parte da cidade de Nova York de um ângulo privilegiado.

Mas quando se fala sobre o High Line, o mais importante é a reinvenção pela qual a região passou, graças à iniciativa e participação da comunidade ao redor. A recuperação do local resultou na transformação do bairro e no desenvolvimento imobiliário e econômico do seu entorno. Exemplo de sucesso, esse estilo de parque está sendo pensado para outras cidades americanas.

Para saber mais sobre a associação de moradores, acesse www.thehighline.org

Arte

O teatro tem o poder de interagir com sua audiência, provocando sensações instantâneas e realizando uma troca constante com o público.

Recentemente vi uma peça, Suculento e Selvagem, do Grupo Artesão. Trata-se de uma livre adaptação do espetáculo americano Juicy and Delicious, da escritora Lucy Alibar, e que mais tarde virou o filme Beasts of the Southern Wild.

Na história, a menina Hushpuppy enfrenta o medo e a confusão de perder seu pai, que está doente, levando ao espectador um belo conto de perda, sobrevivência e auto-descoberta.

A direção e as atuações de todos os atores são pontos fortes dessa montagem. Mas em Suculento e Selvagem, o mais importante é a sensibilidade. A rica forma como a personagem principal enxerga o mundo, e a tocante maneira como isso é representado. A peça oferece a quem assiste uma bela reflexão, com humor e principalmente emoção.

 

O Grupo Artesão apresenta a peça amanhã, sábado dia 22 de fevereiro, às 20:00h, no Conservatório Carlos Gomes, em Campinas, S.P. Ingressos com

 

Serviço:

Fan Page de Suculento e Selvagem: www.facebook.com/suculentoeselvagem

Viagem

Ir a Nova York e não assistir a pelo menos um musical da Broadway é considerado um desacatado à cidade. Conhecida mundialmente por seus famosos espetáculos, a região da Broadway é lugar obrigatório para quem aprecia arte, música e teatro.

Mas já ouvi algumas pessoas criticando musicais, por achá-los aquém do esperado. Bom, é sabido que grandes expectativas geram grandes desilusões, mas não acredito que esse seja o caso. Mesmo assim, existem alguns segredos, que acredito serem fundamentais para um bom espetáculo.

Em primeiro lugar, comprar os tickets pela internet ou diretamente na bilheteria é a forma mais fácil, mas a menos econômica; a dica é chegar cedo a um dos pontos-de-venda da TKTS, um fundo de apoio ao desenvolvimento do teatro de lá (existe um em South Street Seaport, um embaixo da escadaria vermelha da Times Square, e um no Brooklyn), e comprar ingressos com até 50% de desconto – claro que não são todos os shows que ficam disponíveis todos os dias, e deve-se levar em consideração um tempo na fila, mas em geral é possível conseguir poltronas bem localizadas e próximas ao palco. Em segundo lugar, se você não é fã de teatro ou não entende bem a língua inglesa, opte por espetáculos mais conhecidos, assim conseguirá acompanhar melhor a história. E em terceiro lugar, uma boa companhia pode fazer a diferença.

Mas o mais importante é se envolver. Se deixar conquistar pelas músicas – sempre o ponto forte das apresentações, uma vez que a orquestra toca ao vivo – e se entregar ao humor, romance ou suspense da história contada.

Intimistas ou grandiosos, os musicais da Broadway sempre despertam no espectador a magia do teatro, embalada pela melodia da trilha musical. Um programa que vale o investimento.

 

Serviço:

Tkts http://tkts.com/TDF_ServicePage.aspx?id=56

Broadway http://www.broadway.com